Faculdades EST - Diego Max Giles 

Ambiente EaD

Preencha os campos abaixo para efetuar o login


Dúvidas no acesso?

Verifique abaixo o e-mail de suporte da área desejada e entre em contato:

Portal Educacional: ti@est.edu.br

Webmail: informatica@est.edu.br

Catálogo da Biblioteca: biblioteca@est.edu.br

Ambiente Virtual: ead@est.edu.br





Diego Max Giles

13/05/2015 - Entrevista com o violonista, cantor, compositor e ator profissional Diego Max, natural de Buenos Aires, capital argentina. Mas possui uma forte ligação com o Brasil, onde reside atualmente.

O violonista, cantor, compositor e ator profissional Diego Max é natural de Buenos Aires, capital argentina. Mas possui uma forte ligação com o Brasil, onde reside atualmente. Seu pai, o instrumentista argentino Lucio Yanel, é sua maior referência profissional. Max esteve participando da IV Semana Acadêmica da Licenciatura em Música e XI Semana Acadêmica da Musicoterapia.  

 

1. Você tem uma tradição musical familiar, seu pai também é instrumentista e um grande mestre. Como foi crescer neste ambiente? Que influências isso lhe despertou?

De fato, todo tipo de influência relacionada à música em si, pois foi o processo incipiente para me tornar o artista múltiplo que sou hoje em dia, como compositor, escritor, ator, artista plástico... todo nasceu, primariamente, da música e de casa. Meu pai é um exímio violonista, um verdadeiro mestre, mas também excelente cantor e compositor, sem dúvida, foi meu grande mestre e mentor. Mas ainda tinha minha mãe, que de forma muito intuitiva e natural, cantava muito afinadamente, apenas nunca se dedicou a isto. Mas suas inúmeras canções ora amorosas e ora efusivas, principalmente nos meus momentos de crises de asma, que me acompanharam em toda infância, principalmente às madrugadas, acabaram por entrar tão fundo na minha consciência e alma, que além de me acalmar durante as crises, minha mãe despertou em mim um músico sensível, perceptivo e ousado. Coisas do amor puro que a música traduz bem.

 

2. Você se define como um ‘intuitivo criador da sua própria forma de expressão’. Fale um pouco sobre o seu processo criativo.

Bom, tem muito a ver com o que te falei à respeito da minha influência inicial que me fez ser um músico, naturalmente. Mas também posso dizer que sou fruto de uma enorme diversidade de formas de aprendizagem que tive oportunidade de desenvolver. Ainda na infância, meu espírito inquieto me levaria a entrar em concursos de escolas, na minha amada Buenos Aires. E, em praticamente todos, eu me saia bem, sendo convidado a atuar nos palcos dos eventos escolares como cantor, ou tocando rudimentarmente algum instrumento que aprendia na “marra”, ou como ator. Logo, fui vencedor de um concurso mirim no antigo Canal 13 da capital portenha, sendo o “menino mascote que cantava” para dois personagens famosos da TV Argentina em programas infantis. Isso me deu “cancha” de palco ao vivo com público próximo, câmeras ao vivo, pois era gravado no auditório da emissora. Mas posso te dizer que além da lembrança das crises de asma ao som paciente e fortalecedor do canto da minha mãe, também existia as minhas voltas pelas ruas dos bairros boêmios de Buenos Aires, onde eu vendia artesanato que eu já fazia aos sete anos, como pulseirinhas e colares. Eu os oferecia aos ciganos que moravam em cortiços velhos, e estes desenvolviam um afeto por mim e me deixavam ficar com eles, comer alguma coisa, conversar, tocar nos seus instrumentos, como violão, percussão... Eram cortiços divididos entre ciganos de origens diversas como Espanha, Romênia. Tinha também pessoas da França, Itália, Turquia, Arábia, Peru, Bolívia, Chile... Enfim, eu ia naturalmente e sem nenhuma vergonha me “enturmando” e logo convivendo no cotidiano cultural dessas pessoas, onde essas formas de cânticos, ritmos e melodias, me nutriam, me faziam bem e me influenciaram. Por isso sou o que sou hoje, uma mistura quase sem nome de estilo, ou melhor, com um único nome “música universal de alma”.

 

3. O seu trabalho se caracteriza pela fusão entre elementos da musicalidade da cultura argentina e da cultura brasileira. Como acontece essa releitura e recriação de ritmos folclóricos?

Ai entra toda esta influencia das diversas culturas que citei a partir da viagem a algumas partes “marginais do mundo” encontrado nos antigos cortiços de Buenos Aires, sem sair da cidade. Porém, logo após me tornar adulto e sair livremente por aí, acontecem as viagens externas, para fora do meu estado e do meu país. Então conheci o Brasil e compreendi seu folclore quase com tanta intensidade quanto conheço o folclore da Argentina. Assim, conclui que são muito parecidos, como irmãos que “se apegam e desapegam, mas intuitivamente se amam e admiram” pela proximidade de formas culturais e emocionais. Falo da passionalidade, criatividade, impetuosidade, diversidade. Seja urbana ou campesina. Na verdade eu não recrio algum ritmo ou estilo no seu nascedouro, na sua raiz, eu apenas empresto esta minha alma “mal educada e não acadêmica” e, tal qual um alquimista, provoco fusões de estilos e ritmos. Mas sempre cuidando com zelo e responsabilidade, pertinência e coerência, seja filosófica ou musical, do que pode ser feito em função de aproximar dois ou mais estilos que, naturalmente, sejam de alguma forma semelhante na sua vertente. Sempre priorizando a mensagem da música e poesia, o recado que deve chegar ao público, às pessoas, este é o real sentido,  quase missionário, de um músico que tenha na alma essa vocação. Se comunicar e fazer da arte musical a interlocução, a tradução de um sentido, sempre em  prol à essência da humanidade, que é o verdadeiro avanço cientifico e espiritual. Por isso acredito que as fusões são importantes para reaproximar povos e conhecimentos, intercambiar ideias, conhecimentos e sentimentos. Veja só: poucos sabem, mas a mesma mãe África vem a gerar, na mesma ideia ritualista de sensualidade e paixão, os ritmos “bases” que são os geradores do Samba e do Tango, que mesmo parecendo antagônicos nos estilos, o primeiro “efusivo” e o segundo “melancólico”, ambos são irmãos do mesmo ventre e primos na divisão dos compassos. Sugiro a Pesquisa sobre os ritmos e ritos chamados Semba e Tenga, e se surpreendam! Eu apenas retomo um caminho que já foi transitado, muito antes de rótulos, preconceitos e bairrismos.

 

4. Em suas composições, predominam influências de ritmos naturalmente enraizados em seu gosto e cultura pessoal, como o Tango e o Chacarera, argentinos, a Bossa Nova e o Samba, brasileiros, além de toques da liberdade de improviso de Jazz-Blues e Flamenco. Fale sobre isso:

Aqui entra o lado contemporâneo do meu desenvolvimento em viagens por outros continentes, sempre em busca intuitiva de algo “marginal” na música, ou seja, o que eu entendo por exímio sentimento de composição e execução. Aí entra, indiscriminadamente, compositores e intérpretes clássicos, eruditos, pop, rock, regionalistas, MPB, tango, milonga, e tudo que você já citou na pergunta... Meu trânsito por esses estilos todos, ou quase todos, flui naturalmente na forma de tocar. O público perceptivo nota frases e toques em meio a músicas, principalmente as autorais, de um flamenco com alguma convenção de tango, ou uma bossa nova com algum sotaque de milonga... Insisto, eu não realizo isso de forma acadêmica ou em forma de laboratório, isto flui em mim naturalmente, é a minha formação. Já quando desejo fazer algo definidamente claro, neste sentido, eu crio um Projeto e o denomino para esta finalidade, aí indico ver no site WWW.diegomax.com o projeto “Hablando com Jeitinho” que trata da fusão entre os ritmos mais famosos da  música de Argentina e Brasil. Voltando a um detalhe da tua pergunta, não tenho exatamente alguma preferência significativa destas minhas influências, mas claramente se apegam a mim, o conceito antigo do Gipsy Jazz estilo Dajngo Reinhardt, Flamenco estilo Paco de Lucia, Tango estilo Piazzolla, Samba estilo Badem Powell, Chamame estilo Raulito Barbosa e Lucio Yanel, Pop Latino estilo Carlos Santana, Blues e Jazz estilo BB King, por aí... Por incrível que pareça, você notará uma pitada de cada uma destas influências, nas mais diversas músicas minhas!

 

5. Você foi colunista de Arte&Cultura no portal da RedeTV!, entre outros. Como avalia essa possibilidade de refletir sobre o cenário musical?

Sim fui por três anos o Colunista mais lido dentre 32 colegas no Portal, sendo o que tratava com menos “comercialismo” os assuntos abordados, haja visto que ali tinham colunistas de modismos, estilistas de celebridades, fofocas de artistas, piadistas, etc.. Eu fazia arte e cultura no formato em que te respondo a esta entrevista, ou seja, dedicado a esclarecer, abrir o leque emocional e mental para fazer as pessoas refletirem e ir atrás do que realmente possam sentir, como sendo bom para suas mentes e almas e, assim, aguçar seu discernimento e gosto, seja este extremamente popular ou não. Para mim foi uma imensa alegria, honra e responsabilidade, repetindo que nos três anos seguidos que trabalhei para a emissora, em absolutamente todos os 36 meses que durou o contrato, foi a Coluna mais lida e comentada, o que comprova que a democratização do conhecimento e o acesso à arte e à cultura, o povo se nutre com a mesma intensidade de uma cesta básica. Fui feliz e orgulhoso, apenas me retirei após ter recebido outra proposta, depois de perceberem minha notoriedade e crescimento, trataram de me oferecer um espaço em vídeo com a imagem mais charmosa, comercial e atraente do que a própria fundamentação do que eu fazia, aí já não seria mais eu, e sim tão somente um “produto”, e eu sou um “produtor”...

 

6. Como foi participar da Semana Acadêmica da Licenciatura em Música e da Musicoterapia da Faculdades EST?

Que dizer? O adequado seria extravasar! É uma imensa alegria, honra, e que bom que me encontraram aqui no Sul do Brasil! O movimento de arte e cultura, gerando estudos profundos, e eventos da mesma forma, encabeçado pela Faculdades EST, seja no cotidiano, nas disciplinas regulares ou em situações como a Semana Acadêmica da Licenciatura em Música e da Musicoterapia, enobrecem a nossa arte que é a paixão e também o nosso ofício. Participar desse evento, demonstra, no meu caso, que a Faculdades EST engloba o conhecimento e estudo com a sensibilidade, seriedade e percepção, dos grandes mestres da Arte Musical que inspiraram toda esta jornada de vida na música. Como me considero um “não acadêmico” me agrego aos alunos e mestres desta e todas as faculdades, na mesma vertente que nutre nossa paixão e vida... A comprovação está nessa ida e volta, nesse trânsito de alunos estudarem inúmeros e célebres compositores como os clássicos que não frequentaram universidades e fizeram as maiores obras que são estudadas e executadas por orquestras, e artistas como eu que fazem o caminho de volta, ao adentrar, respeitosamente, numa faculdade com meu conhecimento intuitivo e autodidata Assim, todos nós encontramos, criamos e fortalecemos juntos a arte e a cultura por meio da música. Estou muito feliz com o convite e a realização deste evento, com a minha participação. Muito obrigado, com admiração e carinho musical!


Compartilhe:



Faculdades EST - Diego Max Giles - Entrevista com o violonista, cantor, compositor e ator profissional Diego Max, natural de Buenos Aires, capital argentina. Mas possui uma forte ligação com o Brasil, onde reside atualmente.
EST nas Redes Sociais
Rua Amadeo Rossi, 467, Morro do Espelho - São Leopoldo-RS - CEP: 93.030-220 - Telefone: (51) 2111-1400 - FAX: (51) 2111-1411 - E-mail: est@est.edu.br