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Pe. Leo Pessini

15/03/2016 - O Pe. Leo Pessini realizou, recentemente, palestra na Faculdades EST com o tema “Tudo sobre cuidados paliativos”, organizada pelo Grupo de Pesquisa Práxis Social da Igreja, vinculado ao PPG-EST.

O Pe. Leo Pessini é um apaixonado pelo tema acerca do acompanhamento de pessoas no final da vida e suas famílias. Sua experiência como capelão no Hospital Clínico de São Paulo foi determinante para lhe dar o rumo no campo da pesquisa científica. Natural de Santa Catarina, Pe. Leo Pessini é teólogo e um dos mais respeitados bioeticistas do país. É licenciado em Filosofia pela Escola Nossa Senhora da Assunção de São Paulo e em Teologia na Universidade Pontifícia Salesiana, em Roma. Também fez cursos e estudos em Educação Pastoral Clínica e Bioética no St. Lukes’s Medical Center dos Estados Unidos. E possui Doutorado em Teologia Moral com pesquisa sobre a distanásia, que resultou na publicação Distanásia: até quando prolongar a Vida?, pela Editora Loyola, em 2006.

A seguir, a entrevista concedida por Pe. Leo Pessini por e-mail:

 

Qual o ponto de partida para a implementação de cuidados paliativos?

Pe. Leo Pessini - O ponto de partida de qualquer projeto de implementação de cuidados paliativos é que tenhamos plena compreensão do que significa Cuidados Paliativos. E aqui a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2002 é de fundamental importância: “Cuidados paliativos é uma abordagem que aprimora a qualidade de vida, dos pacientes e famílias que enfrentam problemas associados com doenças ameaçadoras de vida através da prevenção e alívio do sofrimento, por meios de identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual”.

 

Quais são os princípios de ação dos Cuidados Paliativos?

Pe. Leo Pessini - A partir desta visão temos os seguintes princípios fundamentais que constituem por assim dizer “a filosofia” dos cuidados paliativos (CP): a) Os CP valorizam o atingir e manter um nível ótimo de dor e administração dos sintomas; b) afirmam a vida e encaram o morrer como um processo normal da vida; c) não apressam ou abreviam a vida (eutanásia) e nem adiam ou prolongam um processo doloroso de morrer (distanásia); d) Para além dos cuidados no nível físico-orgânico, integram aspectos psicológicos e espirituais aos cuidados do doente; e) oferecem um sistema de apoio para ajudar os pacientes a viver tão ativamente quanto possível até o momento de sua despedida da vida; e) ajudam a família em lidar com a doença do paciente, no processo do morrer e após a morte, o luto. Paciente e família são considerados uma única unidade de cuidados; f) visam aprimorar a qualidade de vida.

 

Fale sobre a relação Espiritualidade e Cuidados Paliativos:

Pe. Leo Pessini - A dimensão da espiritualidade é fator de bem-estar, conforto e esperança em situações críticas de vida, principalmente quando se tem que enfrentar o próprio final de vida, ou seja, a própria morte. A busca de transcendência ou conexão como algo para além e acima de nós mesmos é a maneira básica e simples desta busca espiritual. O maior benefício para alguém que cultiva uma espiritualidade, é a perspectiva de dar um sentido maior, um significado à dura experiência da dor e sofrimento.  Como diz o filósofo Oswaldo Gicóia Jr., “o insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido”.

 

Quais as dificuldades encontradas nesse percurso?

Pe. Leo Pessini - Uma das maiores barreiras para a implantação de cuidados paliativos é a questão cultural de negação e não aceitação da morte como parte de nossa existência. No Brasil ainda não temos muitos profissionais especializados e preparados para trabalhar nesta área, bem como temos ainda poucas unidades de cuidados paliativos, ou “hospices” em funcionamento. Temos esperança de que esta filosofia de cuidados para pacientes na fase final de vida, ou que estejam enfrentando uma doença crônico-degenerativa, tenha uma política nacional ditada a partir do Ministério da Saúde, com sua inserção no sistema SUS. É toda uma nova cultura de cuidado que temos que criar frente à cultura que somente vê cura, e quando esta não é mais possível, abandona o paciente à própria sorte, ou então fortalece a prática terapêutica de que somente prolonga o processo de dor, sofrimento e morte mais que vida propriamente dita. Aqui se instala a prática da distanásia, eticamente nociva à dignidade do ser humano. Esta obstinação terapêutica trata a morte como se fosse uma doença que tenhamos de encontrar a cura custe o que custar. Nós humanos não somos doentes de morte, a mortalidade, nossa finitude é uma dimensão fundamental de nossa existência. No Brasil, o próprio Conselho Federal de Medicina, reconhece que 30% dos pacientes que estão nas UTIs, são terminais, e, portanto, não deveriam estar aí, e sim recebendo cuidados paliativos, numa unidade específica da instituição de saúde ou mesmo em casa. Em 2014 a OMS aprovou uma resolução específica de Cuidados Paliativos, incentivando os países membros a aprimorar o acesso aos cuidados paliativos como um componente básico do sistema de saúde. 

 

Quem necessita de cuidados paliativos e utilização de opióides?

Pe. Leo Pessini - A maioria dos adultos em necessidade de cuidados paliativos tem doenças crônicas tais como doenças cardiovasculares (38.5%), câncer (34%), doenças crônico respiratórias (10.3%); Aids (5.7%); e diabetes (4.6%). Muitas outras condições podem exigir cuidados paliativos, entre outras, insuficiencia renal, doença crônica de fígado, esclerose múltipla, doença de Parkinson, artrite reumatoide, demência, doenças neurológicas, anomalias congênitas.  A dor é o sintoma mais frequente e sério que os pacientes sentem. A utilização de analgésicos opióides é fundamental para o tratamento da dor.   Hoje, 80% dos pacientes com AIDS ou câncer e 67% de pacientes com doenças cardiovasculares ou crônico obstrutiva pulmonar, sentirão dor moderada a severa no final de suas vidas. Os opióides podem também aliviar outros sintomas físicos estressantes incluindo a falta de ar. Controlando tais sintomas num estágio inicial é um dever ético de aliviar o sofrimento e respeitar a dignidade das pessoas.  Em 2011, a OMS afirma que 83% da população necessitada de cuidados paliativos que vive em países pobres não tem acesso a medicação de tratamento da dor, como os opióides.

 

Como está a questão dos Cuidados Paliativos em termos de políticas mundiais?

Pe. Leo Pessini - A Organização Mundial de Saúde estima que a cada ano 40 milhões de pessoas necessitam de cuidados paliativos, sendo que 78% deste contingente vive em países pobres, e somente em torno de 14% das pessoas que necessitam de cuidados paliativos recebem este cuidado. Políticas extremamente restritivas quanto ao uso de morfina e outras drogas essenciais da medicina paliativa, negam o cesso adequado ao alívio da dor. Consequentemente existe muito sofrimento evitável não aliviado. Abre-se aqui portanto, uma necessidade de mudança de política de saúde relacionada com esta questão.

Por Mariana Bastian Tramontini


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