
Diante da platéia que lotou o principal anfiteatro da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Boaventura sinalizou que durante muito tempo a América Latina não conseguiu estabelecer vínculos consistentes entre a democracia e o bem-estar das classes populares.
A última década, no entanto, frisou o sociólogo português, foi auspiciosa ao continente, que deixou de ser um quintal dos Estados Unidos para consolidar sua democracia e atuar na vanguarda das lutas anti-imperialistas. Reconhecendo a dificuldade em prever o futuro, Boaventura disse que na próxima década a América Latina deverá apresentar as contradições do capitalismo, fato este que torna a realização do FSM um evento ainda mais importante.
Dividindo a mesa de debates com Boaventura, a senadora Marina Silva argumentou que, diante da situação de crise civilizatória, é preciso mobilizar esforços para uma visão antecipatória de Brasil e mundo.
Pautada por sua experiência vivencial junto aos povos amazônicos e atuação como Ministra do Meio Ambiente no governo Lula entre 2003 e 2008, Marina Silva disse que a construção de um outro mundo possível requer o “exercício da alteridade”. “Precisamos aprender a conviver com o diferente e a interpretar o lugar que o outro ocupa”, frisou.
Ao sinalizar para o fato de que em 500 anos a população indígena brasileira foi reduzida de 5 milhões para 700 mil, Marina Silva indicou que os povos originários representam uma ameaça à manutenção do regime vigente por apresentarem visões de mundo distintas e interpretarem, ao seu modo, a realidade circundante.
Focado no debate sobre O papel público das políticas públicas na garantia dos direitos sociais, o 4º Seminário ofereceu continuidade ao debate travado em nível mundial a respeito das possibilidades e limites das políticas sociais na contemporaneidade.
Jornalista Responsável: Micael Vier Behs