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Direitos Humanos e luta pela dignidade


Direitos Humanos e luta pela dignidade

Tentando resumir as discussões e desafios que o Congresso Estadual de Teologia 2015 deixou para as mais de 350 pessoas presentes na URI – Universidade Regional Integrada de Santo Ângelo, de 4 a 7 de maio, entre docentes, estudantes e pessoas das comunidades próximas, se poderia afirmar: a teologia e a ação pastoral das igrejas precisam sintonizar com os clamores do mundo atual e as distintas violências que nos atingem a cada dia.

Vivemos num contexto de crise generalizada, em que a vida humana vem sendo desvalorizada junto com o descaso pelo meio ambiente e a quebra das relações sociais. Tempos difíceis e que exigem capacidade de escuta, de reflexão e de elaboração teórica à altura dos desafios que a realidade da vida faz emergir com urgência. O Congresso evidenciou ainda que eventos científicos podem e necessitam aproximar-se das comunidades e da vida das pessoas. Só assim se faz justiça para com os altos investimentos que universidades e cursos superiores demandam da sociedade.

Este Congresso deu continuidade aos anteriores, mas com uma particularidade. Realizado na região missioneira do RS, a convite de Instituto Missioneiro de Teologia em parceria com a URI, numa região em que a presença dos povos indígenas e das missões jesuíticas deixou uma marca indelével, o Congresso demonstrou como a interiorização do ensino universitário já traz frutos importantes para a descentralização da pesquisa, do ensino e da extensão. A teologia - como estudo acadêmico - está empenhada em se fazer presente nesse momento do país e este Congresso o fez discutindo um tema por demais oportuno: Direitos humanos e outras vozes. A Coordenação do evento, consciente da necessária abordagem plural, buscou ouvir interpelações que vem da filosofia, da história, do direito, da teologia e da arte! Não por acaso o evento iniciou com uma peça de teatro baseada no consagrado romance de Charles Kiefer, Quem faz gemer a terra, monólogo de Jerson Fonseca, em que um protagonista da luta dos sem terra narra sua história e a dura caminhada por dignidade, a partir de um confronto entre agricultores sem terra e brigadianos nas ruas de Porto Alegre em agosto de 1990.

Além do IMT, se fizeram representar a ESTEF - Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Porto Alegre), a Faculdades EST (São Leopoldo), o CEA – Centro de Estudos Anglicanos (Porto Alegre), a FATEO (PUC-RS), o ITEPA – Instituto de Teologia de Passo Fundo, o ITP – Instituto Superior de Teologia Paulo VI (Pelotas), a Unilasalle (Canoas) e a FAPAS – Faculdade Palotina (Santa Maria).

A professora Selenir G. Kronbauer, da Faculdades EST, destacou a diversidade das pessoas e instituições presentes e reiterou a importância da presença de estudantes africanos, latino-americanos, caribenhos como os haitianos e um irmão da República Dominicana. Foi uma rica oportunidade de escutar outras vozes e diversificar olhares, o que torna a teologia menos etnocêntrica, menos masculina, e mais promotora de direitos e dignidade humana, afirmou Selenir. Assumindo outras perspectivas como a afroamericana, feminista, ecológica e social, o Congresso proporcionou pensar temas de grande relevância para a formação de estudantes que serão ministros/as religiosos/as e cidadãos na sociedade civil. Selenir chamou a atenção para a presença das mulheres, mas ainda em número bem menor do que os homens, o que mostra a urgência de mais espaço para as mulheres nas igrejas e cursos superiores. É preciso motivar mais mulheres no fazer teológico. Enquanto educadoras e educadores nos institutos teológicos, temos compromissos com a educação transformadora. Novas atitudes e renovada compreensão do momento presente serão necessárias para a luta pelos direitos e a garantia da vida.

A presença de docentes de outras áreas do conhecimento contribuiu de modo especial para o Congresso: filósofos como Paulo Schneider (Unijuí) e Paulo César Carbonari (Ifibe), Rita Andreatta, mestra em direito (URI), Lilian Conceição Silva Pessoa de Lira, teóloga anglicana e educadora da Fundação Joaquim Nabuco do Recife, Luiz Carlos Susin (PUC e Estef) e a pastora e mestre em Ciências da Religião Romi Márcia Bencke (CONIC), além de docentes da EST como Márcia Blasi, Oneide Bobsin, Flávio Schmitt, Valério Schaper e Iuri A. Reblin ampliaram a visão do tema e deixaram registradas provocações que certamente irão suscitar novos debates no futuro.

Para o professor Roberto E. Zwetsch, da Faculdades EST, três questões se destacaram nas conferências e debates: 1) Direitos e Dignidade humana, num momento em que no Brasil – diante da crise econômica – se tenta impor perda de direitos e de garantias constitucionais. Nesse sentido, a teologia profética nos questiona ao lembrar que Deus coloca em primeiro lugar o direito dos pobres, dos órfãos e das viúvas, pessoas destituídas de direitos e de propriedade; 2) Direitos Humanos – assim como o ecumenismo – é tema de fronteira, está presente nas margens da sociedade e questiona a democracia formal no Brasil. É urgente pensar os direitos humanos a partir do reconhecimento do outro, do seu sofrimento e da sua luta pela vida; 3) Direitos Humanos só fazem sentido se os tratarmos desde uma perspectiva crítica da sociedade vigente. As leis e a própria Constituição concebem direitos fundamentais, mas a sociedade e a ordem política e econômica os negam na prática, e pior, com o auxílio dos que deviam garantir a sua prática. Um filósofo do século 19 escreveu que a crítica da religião é o início de toda a crítica. Por isto, a necessidade de questionar nossa forma de fazer teologia, permanentemente.

Assistimos no país a uma onda conservadora em que diferentes posicionamentos religiosos se manifestam a favor de medidas francamente retrógradas quanto a direitos já consolidados nas últimas décadas. Setores importantes da sociedade e de igrejas defendem equivocadamente redução da maioridade penal, uso de alimentos transgênicos, condenação de relações homoafetivas, terceirização das relações trabalhistas e outros temas. Daí a necessidade de uma teologia crítica e propositiva.

Por fim, ficou claro a urgência de se trabalhar teologicamente estes e outros temas não apenas nas instituições teológicas, mas também nas comunidades e junto às lideranças leigas do povo de Deus. Tempo de crise pode ser também tempo de oportunidades, mas isto exige ação e criatividade da parte de quem faz teologia com os pés no chão.

Roberto E. Zwetsch

11/5/2015


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