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Rubem Alves: com as borboletas, à sombra dos ipês


Rubem Alves: com as borboletas, à sombra dos ipês

Minha caminhada teológica começou quando conheci Rubem Alves no mestrado em teologia. Foi a partir desse momento que nasceu um teólogo em mim. Explico: Havia ingressado no curso de teologia por causa do meu pai, que ficara muito doente e eu, menino, prometido a mim mesmo que cursaria teologia se Deus permitisse que meu pai ficasse mais tempo conosco. Não era por curiosidade acerca dos mistérios divinos, nem por um chamado vocacional interior ou por interesse na história da Igreja e seus embates dogmáticos e doutrinários ao longo dos séculos, mas por uma luta pela manutenção de um universo pessoal de vida. Embora hoje eu pense diferente, naquela época, eu associava teologia a livros velhos e empoeirados, histórias monótonas sobre conquistas, impérios e discussões, sermões dominicais, rituais e tradição.

Quando conheci Rubem Alves, entretanto, um novo mundo se abriu. Foi então que percebi que a teologia nossa de cada dia não tem cheiro de livro velho, mas é dinâmica, ágil, viva e colorida. Rubem Alves me fez perceber que a teologia é o jogo que nós jogamos toda vez que a nossa vida está em jogo, que ela se refere à busca por sentido e pelo movimento por uma ordo amoris através do tempo e do espaço, que a teologia é o exercício da esperança a despeito de. Muito antes de ser pensada, teologia é feita com o corpo, o corpo dos sacrificados. E ele dizia: “Quero uma teologia que esteja mais próxima da beleza que da verdade, porque da visão da beleza surgem os amantes, mas sobre a convicção da verdade se constrói as inquisições”. É do sofrimento que nasce a beleza, dizia ele, enquanto símbolos de uma ausência, “o que a gente deseja não é viver apenas na nostalgia e na beleza do símbolo, mas a gente quer que esses símbolos de beleza se transformem numa realidade para o mundo em que vivemos”. Teologia se faz política, mas antes de tudo é amor. Este é o resumo de sua teologia “saber transfigurado pelo amor”.

Rubem Alves me ensinou a importância da magia, o poder da palavra, do brinquedo e da imaginação e que os livros velhos podem sim ser muito legais. Mais ainda, Rubem Alves contou histórias/estórias, poesias, e, por meio delas, abriu um universo de possibilidades mediadas por sua própria experiência pessoal, por sonhos e símbolos de beleza, questionando a absolutização e a sacralização de fatos sociais, combatendo ortodoxias, hegemonias e ensinando-nos a questionar a realidade dada com uma pitada de ironia, humor, sob a certeza de que Deus possa estar (porque eu não sei) cuidando de tudo.

Não tenho como nunca me esquecer dele, pois foi por meio de sua visão do mundo e da teologia, das coisas da vida, que aquele menino, que buscava a manutenção de um universo pessoal de vida e o simples cumprimento de uma promessa, encontrou sua vocação e seu horizonte. Assim como Rubem Alves transformou a vida daquele menino, ele transformou a vida de muitas outras pessoas, revolucionou nossa maneira de pensar, criando escolas de pensamento. Assim como, certa vez, ele falou de Beethoven, ele se descreveu: “inventei um aforismo sobre criatividade: Ostra feliz não faz pérola... Beethoven era ostra infeliz; algo doía dentro dele. Para parar de sofrer, encheu o mundo de pérolas. Acho que foi assim comigo. O sofrimento gera a beleza”. Rubem Alves encheu o mundo de pérolas e não há como sintetizar tudo o que ele representa. Assim, só nos resta, degusta-lo, devorá-lo e lambuzarmo-nos com ele, como um delicioso caqui, à sombra de um ipê, servido a todos aqueles e todas aquelas que veem na vida um horizonte para persistir e caminhar e fazer teologia pelo simples bem que faz a nossa carne.

“Teologia não é rede que se teça para apanhar Deus em suas malhas, porque Deus não é peixe, mas Vento que não se pode segurar... Teologia é rede que tecemos para nós mesmos, para nela deitar o nosso corpo. Ela não vale pela verdade que possa dizer sobre Deus (seria necessário que fôssemos deuses para verificar tal verdade); ela vale pelo bem que faz à nossa carne.”

Rubem Alves partiu, ficou encantado. Sentiremos saudade. Mas assim como saudade, que é o revés do parto, e transforma ausências em presencias, nossa saudade e as rodas de conversa sobre seus poemas, suas crônicas e seus pensamentos (e a implementação destes) sobre educação, teologia e vida o manterão sempre próximo de nós.

Texto: Prof. Dr. Iuri Andréas Reblin


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